Entrevistas

Controvérsias e limitações nas guidelines da IC sob o olhar do Prof. Doutor Rui Baptista

22 maio 2022

“As Guidelines em avaliação” foi o título da sessão que juntou especialistas portugueses e brasileiros para debater os tópicos ainda “controversos”, as “limitações” nesta área e o papel da abordagem individualizada ao doente com insuficiência cardíaca (IC), decorrida no Heart Failure 2022. Em entrevista, o Prof. Doutor Rui Baptista, cardiologista no do Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga e palestrante nesta sessão, identificou os highlights da sessão, que “sedimentou as mais recentes recomendações”. Assista ao depoimento em vídeo.

Numa primeira fase, tal como indica o especialista, o tema central foi o “momento de iniciação dos quatro pilares terapêuticos da IC, na qual se discutiu o quão precoce devem ser introduzidos os betabloqueantes”, assim como a utilização dos ARNI vs. IECA/ARA, tema que considera “controverso” nas guidelines da European Society of Cardiology (ESC). Por sua vez, o Prof. Doutor Mucio Tavares de Oliveira Junior, do Heart Institute (InCor), em São Paulo (Brasil), palestrou sobre “Os 4 pilares da terapêutica médica – como iniciar na prática?”, focando-se nos vários perfis de doentes e partilhando a sua interpretação sobre que tipo de doentes devem ser medicados e com que fármacos. O Prof. Doutor Rui Baptista destaca a “enorme experiência [do Prof. Doutor Mucio Tavares de Oliveira Junior] no tratamento dos doentes com IC aguda”, o que lhe permite “ter uma leitura muito pragmática sobre as várias escolhas no contexto deste doente”. Já sobre a sua preleção intitulada “Fração de ejeção – fundamental, ou só mais 1 parâmetro?”, o Prof. Doutor Rui Baptista explica que se discutiram “os limiares da fração de ejeção que levam os médicos a não iniciar determinadas terapêuticas”, assim como os dados que evidenciam cada vez mais as variáveis nos limiares entre homem e mulher. Posteriormente, o Prof. Doutor Luis Beck da Silva, do Hospital Clínicas de Porto Alegre (Brasil), abordou a “velha questão” relativa a “CDI em doentes não isquémicos”. Neste sentido, o especialista mencionou os vários dados da área, tal como o estudo DANISH, datado de 2016, o PARADIGM-HF e ensaios clínicos sobre os inibidores do SGLT2 relativamente à morte súbita, integrando assim outros marcadores na estratificação de risco dos doentes para identificação do momento em que o CDI deve ser implantado.

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