Entrevistas

O impacto da correção da ferropenia antes da alta hospitalar em doentes com IC

23 maio 2022

Interpelado pela My Cardiologia durante o segundo dia do Heart Failure 2022, o Dr. Pedro Morais Sarmento, internista no Hospital da Luz de Lisboa, teceu algumas considerações sobre a ferropenia no doente com insuficiência cardíaca (IC). Assista ao depoimento em vídeo.

“O doente com insuficiência cardíaca apresenta igualmente uma ferropenia absoluta ou funcional”, alertou o internista, explicando que, “nos últimos anos, se verificou que a correção da ferropenia permite melhorar a capacidade funcional desse doente”.

Como esclareceu em entrevista, recentemente novas descobertas mostraram que importa fazer a correção da ferropenia antes da alta hospitalar, uma vez que “pode reduzir significativamente o risco de hospitalizações e morte cardiovascular após alta”, afirma, exemplificando que “estes dados são muito relevantes porque a taxa de re-hospitalização, após um evento de descompensação de IC nos primeiros 30 dias após alta é cerca de 30%”. Além de ser indicador de melhoria do prognóstico, “representa uma redução significativa dos custos associados à insuficiência cardíaca”, destacou.

Para uma correta avaliação das comorbilidades associadas à IC, o médico internista reitera a necessidade de identificar a ferropenia aquando do internamento hospitalar para que possa ser corrigida atempadamente.

“Após alta, os doentes devem seguir um protocolo no qual são avaliados a cada três meses, devendo estar incluídos nestes exames os níveis de ferritina e de saturação da transferrina”, recomendou o Dr. Pedro Morais Sarmento, concluindo: “Se os níveis de hemoglobina não forem superiores a 14 g/dl e ferritina sérica superiores a 800 mg/l deve ser mantida a correção da ferropenia nos doentes com ICFEr”.

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