Interrogado sobre a relevância do ferro na insuficiência cardíaca, o Prof. Doutor José Silva Cardoso esclareceu que, “de uma forma muito sintética, podemos afirmar que o ferro é extremamente importante na insuficiência cardíaca, uma vez que é um requisito para a produção de energia por parte da mitocôndria”. Por outo lado, acrescentou, “o ferro é importante para a regulação da via do AMP cíclico, por sua vez implicada e desregulada na insuficiência cardíaca”.
“Assim, como é expectável”, prosseguiu, “a deficiência de ferro prejudica estes dois mecanismos prevalentes na insuficiência cardíaca e há uma falta de sensibilização para este problema na comunidade médica”.
“Consequentemente, raros são os doentes com IC e deficiência de ferro que têm esta deficiência corrigida, segundo o que está preconizado nas guidelines para o tratamento da insuficiência cardíaca da Sociedade Europeia de Cardiologia”, alertou.
“Porém”, destacou também que, “neste momento, já há evidência suficiente a suportar o impacto da correção da deficiência de ferro não só na qualidade de vida do doente com insuficiência cardíaca e dos seus sintomas, mas também na redução dos internamentos por esta doença e isso é determinante para melhorar o prognóstico dos doentes”.
“Portanto”, concluiu, “é fundamental avaliar a deficiência de ferro ao longo da jornada do doente e, na presença de deficiência de ferro, é crucial corrigi-la com carboximaltose férrica, que ao, contrário do ferro oral, é eficaz, seguro e resulta numa melhoria do prognóstico dos doentes com IC”.


