“No tratamento da ICFEr é extremamente importante a utilização dos inibidores do sistema renina-angiotensina-aldosterona por reduzirem a mortalidade e os internamentos, melhorando os designados soft endpoints”, começou por salientar o professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
Porém, advertiu que, inerente ao seu mecanismo de ação, os RAASi comprometem o aporte de sódio ao tubo contornado distal e alguns bloqueiam os recetores do mineralocorticoides, cujos efeitos contribuem para a hipercaliemia, que pode ser considerado “um efeito consequente esperado associado ao uso de RAASi.”
Tendo em que conta que a hipercaliemia está associada a um aumento do risco de fibrilhação auricular e, a curto prazo, e ao risco de mortalidade. O cardiologista defende, por isso, que “é preciso gerir este equilíbrio entre o aumento do risco de mortalidade a curto prazo e a melhoria do prognóstico do doente a longo prazo, associados ao uso de RAASi”.
Na sua perspetiva, “este desafio não deve ser resolvido com a suspensão ou redução das doses de RAASI abaixo das doses toleradas, já que a introdução do patirómero garante, pelo menos durante um ano, a redução do potássio para níveis seguros e a manutenção de RAASi nas doses recomendadas”, conclui o Prof. José Doutor Silva Cardoso.


