Entrevistas

Patirómero “garante redução dos níveis de potássio para níveis seguros e a manutenção das doses de RAASi”

23 maio 2022

No rescaldo da sessão “Optimal RAASi Therapy in Heart Failure: Tackling the Challenge of Hypekalaemia”, o Prof. Doutor José Silva Cardoso partilhou com a My Cardiologia a sua opinião sobre o papel do patirómero na gestão da hipercaliemia associada ao uso dos RAASI no doente com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr), um dos temas em destaque no Heart Failure 2022.

“No tratamento da ICFEr é extremamente importante a utilização dos inibidores do sistema renina-angiotensina-aldosterona por reduzirem a mortalidade e os internamentos, melhorando os designados soft endpoints”, começou por salientar o professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Porém, advertiu que, inerente ao seu mecanismo de ação, os RAASi comprometem o aporte de sódio ao tubo contornado distal e alguns bloqueiam os recetores do mineralocorticoides, cujos efeitos contribuem para a hipercaliemia, que pode ser considerado “um efeito consequente esperado associado ao uso de RAASi.”

Tendo em que conta que a hipercaliemia está associada a um aumento do risco de fibrilhação auricular e, a curto prazo, e ao risco de mortalidade. O cardiologista defende, por isso, que “é preciso gerir este equilíbrio entre o aumento do risco de mortalidade a curto prazo e a melhoria do prognóstico do doente a longo prazo, associados ao uso de RAASi”.

Na sua perspetiva, “este desafio não deve ser resolvido com a suspensão ou redução das doses de RAASI abaixo das doses toleradas, já que a introdução do patirómero garante, pelo menos durante um ano, a redução do potássio para níveis seguros e a manutenção de RAASi nas doses recomendadas”, conclui o Prof. José Doutor Silva Cardoso.

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